Já imaginou se o seu reflexo no espelho fosse uma espécie de “gêmeo do mal’? Essa é a premissa de Não Olhe, filme de terror que explora a temática do próprio reflexo como motivador do horror presente na relação entre nossa imagem (o que projetamos) e o de fato somos.

A trama tem como protagonista Maria (India Eisley), uma jovem insegura e solitária que sofre bullying dos colegas de escola e tem em sua única amiga, na verdade, uma potencial grande inimiga. Em casa, seu pai (Jason Isaacs) só se importa com sua aparência física e sua mãe é extremamente indiferente. Em poucas palavras, a vida de Maria é bastante complicada. Um dia, a garota é surpreendida ao ser respondida pelo seu reflexo no espelho. Contudo, diferente dela, o reflexo, que se apresenta como Ariam, é uma garota segura de si e deseja se vingar de todo mundo que lhe fez mal. Maria fica extremamente tentada com a proposta já que não aguenta mais sofrer tanto.

Em Não Olhe, o diretor Assaf Bernstein traz uma proposta de fazer uma espécie de mundo invertido, aquele que é sugerido na relação com a projeção no espelho, mas que não funciona bem. Como o reflexo nunca havia aparecido antes? Outras pessoas têm um reflexo “do mal” também? Apesar de básicas, são questões que passam pela cabeça do espectador ao assistir e que, em momento algum, o cineasta – que também assina o roteiro do filme – se preocupa em responde-las ou em aprofundar essa certa “mitologia”.

Não há nenhuma explicação sobre como é esse mundo dos reflexos, ainda que o filme tente justificar um pouco o motivo de Maria ter essa “gêmea do mal”, mas que também não faz tanto sentido dentro da própria lógica de Não Olhe. Mais do que isso, o enredo tinha potencial para aprofundar o tema da projeção, de confrontarmos a nós mesmos, algo que o diretor também parece se desinteressar e não levar para frente.

Assim, apesar de ser considerado como terror, eu diria que seria melhor categorizado como drama. Fica a sensação de que a protagonista era tão solitária e angustiada que ela passa a conversar com o reflexo em busca de alguma companhia, além de que toda a sede de vingança de Ariam era, na verdade, o que ela mesma queria fazer mas não tinha coragem.

Ao final, Não Olhe é um filme que perde seu bom potencial, tanto para a ambientação de tensão, quanto para o tema mais reflexivo que é abordado de forma rasa. Um filme ruim de terror, mas bom para uma psicanálise.

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