“Black Mirror: Bandersnatch” é um evento Black Mirror, onde a Netflix dá ao telespectador a chance de tomar decisões que afetam diretamente a narrativa.


No dia 28 de dezembro de 2018, a Netflix decidiu agraciar os fãs de Black Mirror enquanto a quinta temporada, já confirmada, não chega. Para este evento, a plataforma de streaming decidiu apostar em um formato diferente: um filme interativo solto, em que o espectador pode controlar o desenrolar da trama. Assim surge Black Mirror: Bandersnatch.

https://www.youtube.com/watch?v=rnrCdi53G7A

A narrativa base conta a história de Stefan (Fionn Whitehead), um jovem programador que, inspirado pelo livro Bandersnatch pertencente a sua mãe, decide desenvolver um jogo homônimo em que o indivíduo tenha escolhas e possa controlar sua experiência. Ele apresenta sua ideia a Mohan Tucker (Asim Chaudhry), dono da Tuckersoft, empresa responsável pelos jogos de seu programador favorito Colin Ritman (Will Poulter). Ambos se interessam pela ideia, mas o prazo para desenvolver a versão final do jogo é bem apertado.

Da esquerda pra direita, os personagens Stefan, Colin e Mohan

Stefan é um jovem introvertido e perturbado, em grande parte, pela morte trágica de sua mãe quando ainda era criança, tratando essas questões durante as sessões de terapia com a Dra. Haynes (Alice Lowe). Stefan é bem reservado e tem grande dificuldade de desenvolver relacionamentos, até mesmo com seu pai, com quem mantém uma relação distante e sem afeto.

 

O Poder de Um Clique

Durante todo filme, Black Mirror: Bandersnatch apresentada duas opções de escolha ao telespectador, interferindo diretamente na continuidade da história. As decisões são das mais diversas, com algumas parecendo muito simples, como qual cereal comer no café da manhã ou qual música ouvir a caminho da Tuckersoft. Mas não se engane: cada decisão tomada pelo espectador tem impacto na narrativa, culminando em ações que causarão mais impacto posteriormente.

Sugar Puffs ou Sucrilhos: qual marca de cereal você escolheria pro café da manhã?

Com a possibilidade de diferentes caminhos e finais diferentes (a contagem já chegou em 12 desfechos possíveis), a vontade de voltar e tentar outra opção é inevitável, e a Netflix flexibiliza o formato permitindo que algumas escolhas sejam refeitas para prolongar a história. Mas quanto mais você volta e tenta mudar as escolhas para ter um determinado final ou transformar alguma situação da trama, você começa a perceber que alguns resultados são inevitáveis.

Você pode tentar se esconder ou deixa o tempo de escolha expirar, mas não há como fugir: o desenrolar vem de qualquer forma. Essa inevitabilidade é algo que nos leva a refletir se realmente temos o poder de escolha e o controle da narrativa, um questionamento que o próprio Stefan tem durante o filme. E aqui, esse é o objetivo principal.

Black Mirror sempre trouxe temas que levassem à reflexões sobre nosso comportamento em uma sociedade tão tecnológica e com Black Mirror: Bandersnatch não é diferente. Ao mesmo tempo em que o longa apresenta uma proposta inovadora e diferente, a película não deixa de ter o caráter questionador que é fundamental nos roteiros da série. A interatividade traz uma experiência metalinguística incrível, além de ser muito imersiva. Reservar algumas horas para se dedicar ao universo de Bandersnatch não precisa ser uma escolha difícil de tomar – mas você vai precisar fazer muitas escolhas.


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