"Guerra Fria" é a história de um amor que perdura 15 anos, cujo enredo traz o resquício de um mundo pós-guerra e o fôlego de um promissor novo capítulo.

“Guerra Fria” é a história de um amor que perdura 15 anos, cujo enredo traz o resquício de um mundo pós-guerra e o fôlego de um promissor novo capítulo.


QQuando a lista dos indicados ao OSCARs de 2019 foi revelada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o nome de Pawel Pawlikowski entre os concorrentes a Melhor Diretor surpreendeu a muitos. Contudo, o trabalho que o polonês faz em Guerra Fria é merecedor de todos os elogios e premiações possíveis. Assim, Pawlikowski entrega um filme intimista e sensível sobre os encontros e desencontros de duas vidas que se cruzam devido ao amor.

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Na trama acompanhamos as idas e vindas da relação de Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig), um amor que percorre 15 anos. Unidos pela música folclórica polonesa e ligados por uma forte paixão, o casal é a definição de dois opostos que se atraem. Ele é um músico experiente, ela é uma jovem com talento para desenvolver. Ele é o resquício de um mundo em transformação pela guerra, enquanto ela é o fôlego de um novo mundo que chega a todo vapor. Dos desencontros criados pela personalidade de cada um, os breves momentos de carinho e os cometimentos causados por um continente mergulhado em um contexto de tensão, somos convidados a acompanhar o florescer de um amor tão íntimo e intenso, quanto desolado e insólito.

Existe uma carga histórica e cultural marcante em Guerra Fria, com as canções folclóricas polonesas possuindo devida importância na trama, na relação dos protagonistas e no tom lírico do filme, mas a beleza com que Pawlikowski filma os números musicais torna tudo orgânico e agradável. Neste sentido, todo o trabalho estético da direção é magistral, desde a escolha por filmar na tela quadrada 4:3 e por uma fotografia em preto e branco, que tornam o clima do filme mais melancólico. A fotografia explora um jogo de sombras muito bonito, que fica ainda mais estonteante nas cenas noturnas da Paris boemia em que o casal passa boa parte da trama.

A forma como Pawlikowski dirige seus atores é impecável e a entrega em que ambos dão aos seus papéis torna tudo ainda mais potente. Os sentimentos de afeto, carinho, ciúmes, raiva, solidão, saudade e desejo existem na relação, mas são demonstrações destinadas a olhares, toques, sorrisos, beijos e lágrimas profundas e intensas. É uma construção de um relacionamento pautado pela sutileza de um amor que passa por longas pausas e separações, mas que em momento algum se permite diminuir. De tanta intensidade e melancolia, brilham as atuações de Tomasz Kot e Joanna Klug. Ela, principalmente, transita entre a euforia, energia e encanto para a tristeza e desolação com uma facilidade arrebatadora, emanando um magnetismo da tela.

Com seu desfecho melancólico e poético, Guerra Fria entrega uma bonita, tocante e dura história de amor. Uma jornada marcada pelos encontros e desencontros de duas pessoas que se entendem, completam e encontram no mundo por meio de um sentimento tão intenso quanto melancólico.


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