"Elite" é a segunda produção original espanhola da Netflix, desta vez focando no ambiente do high school e na resolução de um misterioso assassinato.

“Elite” é a segunda produção original espanhola da Netflix, desta vez focando no ambiente do high school e na resolução de um misterioso assassinato.


Luta de classes, homofobia, preconceito contra muçulmanos, as dificuldades de lidar com o HIV. E um assassinato. Elite, a segunda série de produção espanhola da Netflix, se propõe a abordar todos esses temas sérios sem deixar de lado sua pegada teenager. Embarcando na repercussão de La Casa de Papel, o elenco conta com Miguel Herrán, Jaime Menéndez Lorente e María Pedraza, que interpretaram Rio, Denver e Alison Parker, respectivamente, no primeiro mega sucesso espanhol do serviço de streaming.

Sabemos logo no primeiro episódio: Marina, a ruiva rebelde dos cabelos cacheados (tipo uma Merida, só que espanhola), será assassinada. A personagem é construída com complexidade e María Pedraza desempenha muito bem o seu papel. O irmão da garota, Gúzman (Miguel Bernardeau), também está entre as figuras mais bem idealizadas e desenvolvidas da série. Por outro lado, alguns personagens de Elite não conseguem escapar de clichês, como o caso de Lucrécia (Danna Paola), que parece ser a própria Blair Waldorf, de Gossip Girl: competitiva, boa aluna e abusa do uso de tiaras e arquinhos.

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Inclusive, as semelhanças com Gossip Girl não param por aí. O ambiente elitizado, repleto de festas VIP e mansões luxuosas, lembram muito o da série norte-americana e pelo menos dois casais podem ser comparados com Blair e Chuck. O clima de suspense de Elite se assemelha significativamente com o de How to Get Away with Murder, da ABC, e Big Little Lies, da HBO, por conta do anúncio de um assassinato logo no primeiro episódio e vários depoimentos dados à polícia no decorrer dos outros capítulos.

Dos muitos temas apresentados, destaca-se o embate entre classes sociais. Estão ali garotos de famílias riquíssimas, que promovem grandiosas festas beneficentes para se autopromover, mas não aceitam que jovens pobres estudem no colégio dos filhos. Elite consegue representar com maestria um grupo que não está nem um pouco disposto a abrir mão de seus privilégios e conviver com a diferença.

A imigrante Nadia (Mina El Hammani), uma das bolsistas, é proibida pela direção da escola de usar o hijab, lenço que cobre o cabelo das muçulmanas. A jovem questiona: “Aqui, todos usam acessórios. Bolsas caras, relógios de ouro… Tudo isso significa: ‘sou mais rico que você’. Por que não posso usar um símbolo da minha fé?”. Por outro lado, a própria representação de Nadia na série esbarra em alguns clichês, como o da muçulmana conservadora, que não aceita o fato das mulheres ocidentais terem vida sexual ativa. Omar, seu irmão, tinha tudo para ser um dos melhores personagens, mas a atuação de Omar Ayuso deixa a desejar.

Nos últimos episódios, os arcos individuais dos personagens perdem força e a série se concentra na resolução do assassinato. A partir do sexto capítulo, é difícil de dar um tempo na maratona; mesmo que o desfecho não sendo tão bem amarrado, nossos olhos ficam grudados na tela e acabamos surpreendidos. Apesar de definitivamente não ser a série do ano, Elite é muito mais do que uma simples trama de high school – seus oito capítulos são bem dirigidos e conseguem prender a atenção do espectador. O final deixa brechas evidentes para a segunda temporada, que pode almejar vôos maiores.


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