"Elite" chega a sua terceira temporada com boas revelações, mas já mostra a falta de gás e previsibilidade da trama espanhola.

“Elite” chega a sua terceira temporada com boas revelações, mas já mostra a falta de gás e previsibilidade da trama espanhola.


Nota da Colab: este texto contém spoilers.

 

OOs estudantes do colégio Las Encinas nunca têm paz. A terceira temporada da série Elite, original da Netflix, colocou no roteiro mais uma morte e uma longa investigação sobre o que aconteceu com a vítima e quem poderia ser o assassino ou assassina. A cada episódio, trechos da noite de crime são mostrados junto com os interrogatório da polícia, dando mais um clima de mistério para a série.

A segunda temporada terminou com suposições de qual seria o destino de Pólo (Álvaro Rico) após a decisão de Carla (Ester Expósito) de entregá-lo à polícia como culpado pela morte de Marina (María Pedraza) – tema central da temporada inicial. Contudo, Carla percebe que a prisão de Pólo pode causar consequências para sua família, e testemunhar contra o ex-namorado pode não ser uma boa ideia assim.

Ainda seguindo os efeitos colaterais da segunda temporada de Elite, as parcerias formadas permanecem unidas. Guzmán (Miguel Bernardeau) e Samuel (Itzan Escamilla), uma amizade um tanto quanto inesperada, continuam sendo parceiros, com o objetivo que seja feita justiça pela morte de Marina. Pólo e Cayetana (Georgina Amorós) também continuam próximos, num relacionamento claramente baseado na situação de isolamento social que ambos se encontravam. Ele por ser um assassino e ela por ser uma farsa, pois havia fingido ser rica e até fez um falso evento de caridade para conseguir dinheiro. Não há química alguma entre os dois, mostrando um namoro pautado no desespero de Pólo e a sede de atenção de Cayetana.

Mantendo o estilo da produção, os episódios de Elite vão mostrando os problemas individuais e em conjunto dos personagens principais, que não necessariamente têm relação com o assassinato. Lucrécia (Danna Paola), que teve seu relacionamento incestuoso com o meio-irmão Valério (Jorge López) flagrado pelo pai, perde o posto de filha perfeita e precisa correr atrás de um bom futuro.

Ander (Arón Piper) e Omar (Omar Ayuso) não estão exatamente no paraíso do relacionamento. Com os teasers lançados pela Netflix, já sabíamos que Ander estaria doente e isso poderia afetar a dinâmica do casal favorito. Contudo, esse anexo na trama ficou bem perdido e não pôde ser muito bem aprofundado. A possível tentativa de colocar algum toque mais triste a um enredo de mistério não se sai muito bem e não consegue amarrar os nós da história.

Para incrementar a trama de Elite, dois novos personagens são inseridos. Malick (Leïti Sène) chega ao colégio e aproxima-se rapidamente de Nadia (Mina El Hammani), pois são os únicos muçulmanos do colégio. Ele começa a fazer de tudo para conquistar a jovem e sua família, de um jeito um pouco desesperado demais para agradar, mas logo as máscaras caem e, sem spoiler, mas acontece uma revelação interessante sobre ele. O outro, Yeray (Sergio Momo), é um ex-aluno que voltou ao colégio e começa a tentar conquistar Carla. Apesar de ainda estar abalada com o antigo namoro, Carla novamente precisa colocar sua família em primeiro lugar e tem que sair com Yeray pelos investimentos que ele pode fazer na empresa dos seus pais. Os novos personagens basicamente chegaram para namorar.

Ainda que o novo ano de Elite seja muito bom e tenha revelações interessantes, a terceira temporada não consegue prender tanto e se mostra relativamente previsível, seguindo caminhos já conhecidos pelo público. Todavia, é capaz de criar alguns pequenos bons conflitos e ampliar a dinâmica do grupo principal entre si. A produção da Netflix já afirmou que virá uma quarta temporada, mas ainda não sabemos como será. A terceira foi o último ano dos alunos no Las Encinas, que é o maior fator de união entre os personagens. Agora, cada um terá um rumo a seguir, e teremos que ver como será.

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